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Da Redação
O setor que mais concentra micro e pequenas empresas no Rio Grande do Sul ganhou, pela primeira vez, um espaço próprio na Feira do Empreendedor. O Negócios & Sabores, estreia da edição 2026 do evento promovido pelo Sebrae RS, coloca a gastronomia como um dos destaques da programação, no Instituto Caldeira, em Porto Alegre. A proposta é simples e direta: levar ao palco empreendedores de verdade, com histórias de superação, para falar sobre o que ninguém conta quando o assunto é abrir um bar, um restaurante ou uma lancheria.
A escolha do setor não é casual. Segundo o especialista em Competitividade Setorial do Sebrae RS e responsável pelo espaço, Roger Klafke, bares, restaurantes, lancherias e ambulantes formam, somados, um dos segmentos que mais reúne micro e pequenas empresas no Estado.
“Quando pegamos um recorte específico, vemos vários restaurantes e o empreendedorismo geral na gastronomia como uma grande potência e uma grande oportunidade. São mais de 1,4 milhão de negócios formais no Brasil e é um dos setores que mais gera emprego na nossa economia”, contextualiza.
O paradoxo do setor está justamente naquilo que o torna atraente. A relativa facilidade de entrada transforma a gastronomia em um mercado altamente competitivo, com pressão constante sobre preços e margens.
“É uma grande possibilidade e oportunidade para quem quer empreender, mas traz uma série de desafios que sabemos que não são fáceis: questões específicas de cozinha, preparo e legislação, além do desafio enorme de ser um negócio economicamente viável pela pressão do aumento do custo dos alimentos. Por ter uma baixa barreira de entrada, torna-se um setor altamente competitivo com muitas opções no mercado”, analisa.
A resposta do Sebrae RS a esse cenário é o que Klafke chama de “cuidado com a formatação do negócio”: planejamento, posicionamento da empresa e do produto, e a compreensão de que a operação vai muito além do fogão.
“Não é só cozinha: envolve serviço, atendimento, delivery, posicionamento digital e um controle financeiro muito bem-feito para reduzir os riscos”, conclui.
Três produtos populares, três trajetórias de superação
Para traduzir esses desafios em algo palpável, o espaço apostou em produtos que qualquer gaúcho reconhece e em histórias que qualquer empreendedor reconhece. O xis tradicional, representado por um convidado de Santa Maria, a capital nacional do xis, com trajetória premiada; a cuca, que carrega ancestralidade, a tradição da imigração e as misturas
culturais do Estado; e a pizza, um dos produtos mais consumidos do país, trazida por um empreendedor de trajetória marcante.
“A nossa ideia é trazer exemplos reais de empresas que começaram com baixo investimento e continuam na jornada, mas que atingiram o sucesso e compartilham seus desafios. Queremos gerar trocas, contagiar e provocar essa reflexão com quem está na feira e empreende em alimentos e bebidas”, afirma Klafke.
E a resposta do público superou a expectativa de conteúdo. Segundo o responsável pelo espaço Negócios & Sabores, as histórias são tão fortes que o ambiente transbordou emoção e identificação.
“O público tem demonstrado muito interesse em conversar com o empreendedor da vida real e ter essa troca, porque muitas vezes o ato de empreender é solitário. A pessoa fica isolada na cozinha e acha que só ela enfrenta aqueles problemas. Essa troca funciona como uma verdadeira ‘terapia em grupo’, gerando identificação e perguntas muito voltadas a como os convidados tiraram forças e como conseguiram superar os obstáculos”, comemora.
Entre os nomes que subiram ao palco está Marla Kappaun, fundadora da Da Vó – Ateliê de Cucas, negócio criado em 2019 com sede e produção no bairro Bom Fim e no shopping Pontal, em Porto Alegre. A marca nasceu de uma homenagem: os avós eram donos de uma padaria, e a cuca sempre esteve na mesa da família.
“Fiquei muito feliz com o convite. Eu frequentava muitos eventos do Sebrae RS e sempre assistia a pessoas que me inspiravam; então, hoje, estar aqui compartilhando a minha história e inspirando outras pessoas faz parecer um novo passo do ciclo, em que estou podendo retribuir. É um orgulho e uma felicidade ver que aquilo que fizemos deu certo”, afirma Marla.
A trajetória da Da Vó ajuda a dimensionar o que o espaço quer mostrar. Em 2025, a empresa vendia 5 mil cucas por mês e abriu uma operação no Pontal Shopping, em Porto Alegre. Os sabores mais procurados são doce de leite, uva e a salgada de linguiça com queijo.
E qual conselho ela daria a quem está começando? Marla foi direto ao ponto que mais teria economizado tempo no início da sua trajetória empreendedora: entender o conceito de MVP – Mínimo Produto Viável, aprendido quando procurou o Sebrae RS para desenhar seu modelo de negócio.
“É fundamental entender como validar o seu produto ou serviço sem fazer um grande investimento inicial, sem já pedir demissão do trabalho ou fazer uma mudança drástica de imediato. Eu passei cerca de um ano pensando que precisava de um investimento gigante para colocar o negócio na rua, quando na verdade consegui resolver de forma muito mais simples”, conta.
A segunda dica é sobre o que sustenta a jornada quando o entusiasmo inicial passa.

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