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Integração da cadeia e valorização da qualidade estão entre os aprendizados de missão ao Colorado

Experiência nos Estados Unidos aponta caminhos para aprimorar a produção, aproximar os elos do setor e explorar novas oportunidades de mercado para a carne gaúcha

atualizado em: 28/10/26

Da Redação

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A imersão do Sebrae RS ao Colorado, nos Estados Unidos, reuniu referências da pecuária, da indústria frigorífica e do varejo norte-americanos que podem contribuir para o desenvolvimento da cadeia da carne no Rio Grande do Sul. As visitas e os encontros com especialistas permitiram observar estratégias de eficiência produtiva, classificação de carcaças, aproveitamento de cortes e comunicação com o consumidor.

 

Para André Bordignon, especialista em agronegócio do Sebrae RS, um dos principais aprendizados está na conexão entre as etapas da produção. As informações sobre o desempenho dos animais e a qualidade das carcaças podem orientar decisões desde a criação dos bezerros até a terminação, aproximando os resultados do campo das exigências do mercado. “Não importa se eu vendo terneiro para um recriador e não direto para o consumidor final, se eu não começar a ver qual o terneiro que será a carne desejada, eu estarei desatualizado e pouco valorizado pelo mercado”, afirma.

 

Essa lógica pode ser observada na Kuner Feedlot, operação da Five Rivers, empresa de confinamento de bovinos visitada pelo grupo. A unidade tem capacidade para alojar 100 mil animais e mantinha cerca de 65 mil no momento da visita, em um cenário de oferta restrita de bovinos nos Estados Unidos. A estrutura trabalha com diferentes programas de terminação, combinando estratégias nutricionais e períodos de confinamento conforme os objetivos de produção e as características de cada programa.

 

A agenda também incluiu uma unidade da JBS nos Estados Unidos, com capacidade de abate de 5,2 mil bovinos por dia, conforme informação apresentada pela própria unidade visitada. No local, o grupo conheceu os processos de avaliação e classificação de carcaças conforme os padrões do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que incluem as categorias Prime, Choice, Select e no-roll. Esses critérios ajudam a diferenciar a carne por atributos de qualidade e fornecem informações que podem retornar aos produtores, contribuindo para aprimorar o desempenho dos rebanhos.

 

Qualidade, consumo e comunicação

 

A evolução dos indicadores produtivos norte-americanos oferece outra referência para o setor. Bordignon explica que, conforme os dados apresentados durante a missão, o peso médio das carcaças bovinas passou de aproximadamente 355 quilos, em 2001, para 444 quilos, em 2025. Na classificação de qualidade, os dados informados pelo coordenador apontam que 15,2% das carcaças se enquadram na categoria Prime e 73% na Choice, totalizando 88,2% nas duas principais categorias. A referência indicada para os percentuais é a National Beef Quality Audit 1991-2022, iniciativa ligada ao Beef Checkoff e à National Cattlemen’s Beef Association (NCBA), além de dados do USDA Agricultural Marketing Service (AMS), do CAB Insider e do Livestock Marketing Information Center (LMIC) para períodos mais recentes.

 

No varejo, a variedade de produtos e a destinação dos cortes evidenciaram oportunidades relacionadas aos hábitos de consumo. Nos Estados Unidos, uma parcela expressiva da carne bovina é transformada em carne moída, especialmente para a produção de hambúrgueres. “Esse mercado demonstra que a valorização comercial pode ir além dos cortes tradicionalmente associados ao churrasco, abrindo espaço para novos produtos e formas de aproveitar a carne. Para o Brasil, compreender essas preferências pode ajudar a diversificar a oferta e ampliar as possibilidades de comercialização”, destaca o coordenador.

 

A competitividade também depende da capacidade de comunicar os diferenciais do produto. Bordignon aponta que o setor precisa participar de forma mais ativa das discussões sobre a produção de carne e seus impactos ambientais, apresentando informações consistentes sobre os sistemas produtivos: “O Rio Grande do Sul reúne características ambientais e produtivas que podem contribuir para esse posicionamento, mas esses atributos precisam ser demonstrados com evidências e traduzidos em mensagens compreensíveis para o consumidor”.

 

A aproximação entre pesquisa e produção é parte desse processo. Durante a missão, o grupo conheceu centros de pesquisa com estudos sobre alimentação animal, emissões de metano e alternativas para tornar a atividade mais eficiente. Iniciativas desse tipo ajudam a desenvolver soluções técnicas e a qualificar o debate sobre sustentabilidade, aproximando conhecimento científico, produtores e mercado.

 

Para o Sebrae RS, as experiências reforçam a importância de fortalecer a cooperação entre os participantes da cadeia e ampliar a compreensão sobre as demandas do consumidor. “O desafio para a pecuária gaúcha não é reproduzir integralmente um modelo estrangeiro, mas identificar práticas que façam sentido para a realidade regional. A integração das informações, a valorização da qualidade e a comunicação dos diferenciais podem contribuir para transformar eficiência produtiva em reconhecimento de mercado e competitividade”, conclui o coordenador.

 

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