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Da Redação
Na indústria o futuro já chegou, e pode ser visto em pleno funcionamento dentro do estande da Rede RS Indústria 4.0 na Mercopar, maior feira de inovação industrial da América Latina, que segue até esta sexta-feira, 23, no Centro de Feiras e Eventos Festa da Uva, em Caxias do Sul (RS). O estande demonstra, na prática, como funciona um processo de produção numa fábrica no modelo 4.0, com uma estação de montagem de módulos de tomada elétrica aliada a cinco tecnologias de sensoriamento fornecidas por diferentes empresas, que mostra ao vivo um sistema de produção integrado que une máquina, coleta de dados, sistemas de gestão e visão computacional em diferentes níveis para antecipar falhas, apontar onde a produção perde ritmo e apoiar decisões em tempo real, com grande foco na melhoria de produtividade.
O estande demonstra uma estação que integra a máquina de montagem dos módulos de tomadas, fabricada pela companhia G&A Cemin, com tecnologias que atuam em cada etapa do processo, promovendo monitoramento de parâmetros de produção em tempo real, fornecidas pelas empresas AKR Sistemas, Easypro Tech, Metal Work Pneumatic, FIT Engineering Systems e Crescer Indústria de Automação. Todas elas são empresas gaúchas parceiras da iniciativa colaborativa Rede RS Indústria 4.0, promovida pelo Sistema FIERGS, por meio do Senai-RS, e pelo Sebrae RS, instituições que também são realizadoras da Mercopar.
Na estação presente na Mercopar, cada movimento pneumático da máquina de montagem de módulos de tomadas elétricas corresponde a uma operação específica, e os atuadores e sensores passam a ser monitorados cooperativamente pelas expertises de cada uma das empresas participantes. “Se eu conseguir monitorar esses atuadores pneumáticos, que são componentes mecânicos, eu não estou monitorando o equipamento, eu estou monitorando o processo”, explica Rafael Granoski, gerente de Operações dos Institutos Senai de Tecnologia e um dos responsáveis pelo estande na Mercopar.
Integração
De acordo com Rafael, a estação demonstra que a integração tem início já no ambiente fabril, com uma mudança de foco no que se acompanha. O modelo de indústria 4.0 prevê que cada passo do processo seja analisado individualmente, promovendo estratégias para cada etapa da produção e reduzindo gargalos que geram quebras de equipamentos, desperdício de recursos e resultados abaixo da expectativa.
Como exemplo do impacto causado, o gerente explica que o desgaste de um componente não faz a máquina parar de imediato: ela passa a trabalhar mais devagar. Sem monitoramento, a empresa só perceberia a queda de produtividade no fim da linha, sem saber onde atuar. Com indicadores para cada atuador, fornecidos por diferentes empresas, a variação no tempo de cada movimento sinaliza o problema antes da falha, e a manutenção deixa de ser corretiva para ser programada. Em tempo real, também é possível identificar qual sensor saiu de posição e saber o custo de cada movimentação. “Se começar a ter um tempo maior ou menor, é uma indicação que aquele componente mecânico vai entrar em falha. Então eu consigo antecipar uma falha no pneumático”, diz o gerente.
As seis participantes do estande são a G&A Cemin, de Caxias do Sul, que fabrica máquinas especiais para automação; a Metal Work Pneumatic, de origem italiana e com fábrica em São Leopoldo, especializada em automação pneumática; a Crescer Indústria de Automação, de Novo Hamburgo, que atua com eletrônica embarcada e IoT baseadas em Arduino e ESP32, fornecendo coleta de dados a um custo mais acessível; a AKR Sistemas, de Caxias do Sul, que desenvolve sistemas de rastreabilidade e de execução da manufatura (MES) que integram o ambiente fabril ao ERP; a FIT Engineering Systems, com unidade em Caxias do Sul, com softwares de engenharia, programação e monitoramento de máquinas CNC; e a Easypro Tech, de Campo Bom, que aplica visão computacional e inteligência artificial à análise de tempos e métodos de trabalho. A integração entre essas soluções demonstra, em tempo real, o potencial de uma planta de produção pensada em cada detalhe.
Porta de entrada
O fundador e CEO da G&A Cemin, Vagner Cemin, explica que a máquina em exposição foi construída a partir da demanda de um cliente do setor de material elétrico, que fazia a montagem de forma manual. O equipamento une diferentes componentes para eliminar um trabalho repetitivo e insalubre, garantindo a conferência e a repetibilidade do processo e ampliando a produtividade. Cemin afirma que a empresa tem ênfase em hardware e que a parceria com as demais empresas do estande trouxe o que faltava em software e inteligência artificial. “Nós entregamos o hardware, e cada um deles entrega uma parte do software, do controle da máquina”, diz. O equipamento continua o mesmo, mas agora os dados da máquina chegam à tela do computador do empresário. “Ele não precisa nem sair da sala para saber quantas peças boas a máquina está produzindo, quantas peças erradas, qual é a maior falha que ela tem e qual é o consumo de ar e de energia”, afirma.
O diretor técnico da Crescer Indústria de Automação, outra das participantes do estande, Cristiano Nazário, explica que o espaço na Mercopar oferece uma visão de porta de entrada para pequenas e médias indústrias que sempre ouviram falar de Indústria 4.0, mas que sentiam que a oportunidade de embarcar nesses processos já tinha passado ou era distante demais. “Ainda há grandes ondas de inovação vindo, e a gente ajuda as empresas a surfar por ondas menores até chegarem nesse ponto”, resume. Segundo ele, um cliente pode começar com cerca de R$ 900 em hardware, sem mensalidade de software, e aprofundar a análise conforme os resultados aparecem. Nazário acrescenta que a Rede Indústria 4.0 profissionaliza a abordagem comercial das empresas, amplia o networking e viabiliza a presença no estande.
O gerente Rafael Granoski destaca que a lógica dessa integração vale também para a própria Rede RS 4.0, formada por empresas fornecedoras de soluções de transformação digital no cenário gaúcho. Os integrantes se indicam entre si, fazem orçamentos sem compromisso, e o cliente escolhe livremente os componentes, inclusive de empresas de fora do grupo. Mesmo as de origem estrangeira, como a italiana Metal Work, que fabrica no Rio Grande do Sul, mantêm raízes no estado. “Não é venda casada. É cooperação, é colaboração”, reforça.
Segundo o gerente, a proposta do estande é justamente demonstrar como é possível agregar potencial extra a equipamentos que, originalmente, estavam previstos para fazer uma lista restrita de tarefas, como a montadora da G&A Cemin, concebida para unir os cinco componentes de uma tomada elétrica. “A integração permite extrair dados e resultados melhores do que aqueles previstos originalmente. Na prática, quem visita a célula vê como acrescentar dados, monitoramento e visão a um equipamento que já existe e passar a enxergar o processo, e não só o resultado no fim da linha”, diz.

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