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Da Redação
Imagine dar uma instrução a um robô no chão de fábrica e vê-lo identificar as peças, entender o que precisa fazer e executar a tarefa sem que um profissional tenha de programar cada movimento. Essa é uma das aplicações de inteligência artificial que estarão em destaque na Mercopar 2026 (https://mercopar.com.br/), com soluções que combinam robótica, câmeras e reconhecimento de voz para tornar a automação industrial mais flexível e acessível.
A tecnologia integra as grandes apostas para a 35ª edição da maior feira de inovação industrial da América Latina, realizada pelo Sebrae RS e Sistema FIERGS de 20 a 23 de outubro em Caxias do Sul (RS), segundo maior polo metalmecânico do Brasil. Segundo Fabiano Dallacorte, especialista em indústria do Sebrae RS, a evolução dos robôs colaborativos permite simplificar a interação com os equipamentos e reduzir a necessidade de programação manual em determinadas tarefas. “Os fabricantes estão colocando inteligência artificial junto com esses robôs. Eles incorporam uma câmera, para que o equipamento consiga enxergar, e uma inteligência artificial que funciona como um cérebro. Você fala para o robô o que quer que ele faça, e ele interpreta a instrução”, explica Dallacorte.
Esse tipo de proposta representa um avanço na forma como os equipamentos são utilizados na indústria uma vez que, em vez de depender de uma programação detalhada para cada tarefa, o operador poderá orientar o robô por meio de comandos de voz, enquanto a inteligência artificial interpreta a instrução e define os movimentos necessários.
Dallacorte acrescenta ainda que com comandos de voz o operador pode orientar o robô a executar tarefas diferentes sem depender de um programador para configurar manualmente cada movimento. “Isso permite adaptar a linha de produção a novos produtos com mais rapidez, reduzindo o tempo de preparação para mudanças na operação”, destaca o especialista.
A tecnologia ainda está em desenvolvimento para aplicações industriais, mas já aponta para novas possibilidades de automação. Os visitantes podem conhecer demonstrações dessa e de outras evoluções tecnológicas durante a Mercopar.
Paulo Scopel, presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Caxias do Sul e Região (Simecs) e representante do Sistema FIERGS, ressalta essa diversidade de inovações que a Mercopar apresenta ao público. “Muitas vezes, você chega na feira focado em conhecer uma máquina que está sendo lançada e que tem relação com sua indústria. Mas é preciso ir com a mente aberta, porque poderá perceber nos corredores uma outra empresa que pode estar desenvolvendo um sistema muito útil para o teu negócio”, descreve.
Outra aposta está nas tecnologias de monitoramento e visualização de dados, consideradas fundamentais para identificar problemas e melhorar o desempenho da produção. Por meio de sensores, câmeras e sistemas de análise, as empresas conseguem acompanhar o funcionamento das operações, identificar gargalos e detectar falhas em máquinas e equipamentos.
“Uma das primeiras etapas da indústria inteligente é a visualização, é enxergar a fábrica funcionando por meio de dados. Essas tecnologias permitem identificar onde estão os problemas de produção, os gargalos e as falhas, além de mostrar onde uma máquina pode estar apresentando problemas”, afirma Fabiano Dallacorte.
Entre os exemplos destacados está a Azanonatec, que desenvolve armários inteligentes e sistemas para almoxarifados automatizados. As soluções registram a retirada de materiais, integram informações ao controle de estoque e permitem acompanhar o consumo de insumos. A empresa também fornece armários inteligentes utilizados em operações de retirada de compras feitas pela internet.
O gerente executivo de Tecnologia e Inovação do Sistema FIERGS, Victor Gomes, destaca que a Mercopar é uma oportunidade de conhecer tecnologias desenvolvidas para uma determinada atividade, mas que podem ser úteis em outras. “Um sistema de visão computacional usado para identificar anomalias em chapa metálica pode ser adaptado para identificar anomalias em plantas e ser usado em agricultura digital, por exemplo”, cita. “Isso demonstra a importância do desenvolvimento de conhecimento que a Mercopar ajuda a estimular”, complementa.
A manufatura aditiva em metal, conhecida como impressão 3D, é outra tecnologia que deve ganhar espaço na feira. O recurso permite produzir peças com geometrias complexas, inclusive componentes difíceis de fabricar por métodos convencionais, como usinagem, soldagem e dobra de chapas.
Para Dallacorte, o potencial da tecnologia está também na possibilidade de transformar a distribuição e a fabricação de componentes industriais. Com o avanço da capacidade de produção em escala, peças poderão ser fabricadas mais perto do local de utilização, reduzindo etapas de transporte e armazenamento. “Se a gente conseguir imprimir em 3D com volume, poderemos fabricar determinados componentes mais perto de quem precisa deles. Isso dá velocidade para o cliente e permite maior customização”, explica o especialista. Entre os destaques mapeados está a empresa 2M3D, que trabalha com impressoras de grande porte, incluindo aplicações voltadas à fundição.
A quarta aposta reúne tecnologias voltadas à eficiência energética nos processos industriais. Um dos destaques será a Messer, que deverá apresentar um sistema de corte com “hidrogênio verde”, que utiliza menos energia em comparação aos métodos tradicionais de corte industrial. A tecnologia será uma das aplicações que os visitantes poderão conhecer durante a feira.
Além da integração com os robôs, a inteligência artificial aparece como uma frente própria de aplicação na indústria, especialmente na análise de dados e no apoio à tomada de decisões. A tecnologia pode identificar padrões nas informações geradas durante a produção e apontar problemas e oportunidades de melhoria, auxiliando gestores no planejamento e no acompanhamento das operações.
Dallacorte destaca que as empresas responsáveis pelas soluções de monitoramento também deverão apresentar aplicações de inteligência artificial para analisar dados e produzir informações que ajudem a orientar decisões.
A integração entre essas tecnologias amplia as possibilidades de uso da inteligência artificial na indústria. “Enquanto os robôs passam a interpretar comandos e executar tarefas com maior flexibilidade, os sistemas de monitoramento e análise ajudam a compreender o desempenho da fábrica e identificar oportunidades de melhoria”, acrescenta Dallacorte.
Data: 20 a 23/10
Local: Centro de Feiras e Eventos Festa da Uva, em Caxias do Sul (RS)
Informações e inscrições: https://mercopar.com.br/
Realização: Sebrae RS e Sistema FIERGS

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