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Da Redação
Painel “O Novo Valor das Coisas” mostrou como o reaproveitamento de recursos pode transformar negócios, consumo e oportunidades de mercado
A economia circular foi tema de debate no Taquara Summit, durante o painel “O Novo Valor das Coisas”, que reuniu especialistas para discutir como novos modelos de produção e consumo podem contribuir para a sustentabilidade e, ao mesmo tempo, gerar oportunidades de negócios e aumentar a competitividade das empresas.
Durante o encontro, o gestor de projetos do Sebrae RS, Josemar Demenech, destacou que ainda há um grande espaço para avançar na adoção da economia circular. Segundo ele, 86,4% das micro e pequenas empresas desconhecem ou conhecem pouco o conceito, o que demonstra a necessidade de ampliar o acesso à informação e estimular a adoção de novos modelos de negócio.
O cenário também revela um desafio global: apenas 6,9% dos materiais utilizados na economia possuem circularidade, ou seja, são efetivamente reaproveitados. Para os participantes, mudar essa realidade exige repensar a forma como produtos são desenvolvidos, utilizados e descartados.
“A economia circular é mais do que uma pauta de sustentabilidade. É uma estratégia”, destacou Josemar, ao defender que empresas passem a enxergar o reaproveitamento de recursos também como uma oportunidade econômica. Ele apontou ainda indústria e construção como segmentos com grande potencial para a implementação de soluções de circularidade.
A engenheira ambiental e sócia-consultora sênior da Ecovalor Consultoria em Sustentabilidade, Evelin Goldmeyer, reforçou a importância de mudar a lógica em relação aos resíduos. “A pergunta não deve ser como descartar esse material, mas sim como reaproveitar esse resíduo”, afirmou.
Segundo Josemar, a transição para modelos mais sustentáveis também pode trazer benefícios financeiros. Ele destacou que existem linhas de financiamento com condições mais atrativas para empresas que adotam práticas ambientalmente responsáveis, tornando a sustentabilidade um elemento cada vez mais estratégico para os negócios.
O painel também abordou as transformações no comportamento do consumidor. Gabriela Dall’Acqua, empreendedora, stylist e fundadora da M.DALL’ACQUA, chamou atenção para o setor da moda. De acordo com ela, apenas um terço das roupas produzidas chega efetivamente a ser consumido, reforçando a necessidade de repensar os hábitos de compra e o uso das peças.
A discussão mostrou que a economia circular também abre espaço para novos modelos de negócio. Josemar citou, por exemplo, o aluguel de equipamentos como uma alternativa capaz de ampliar o acesso a produtos, reduzir o consumo de recursos e estimular uma relação mais consciente com o uso dos bens.
Para quem deseja começar a incorporar a economia circular ao negócio, uma das principais orientações apresentadas no painel foi buscar conhecimento, empresas e parceiros que possam apoiar essa jornada. Nesse processo, o Sebrae pode atuar como parceiro das empresas na identificação de oportunidades e na construção de estratégias mais sustentáveis.
O painel teve Augusto Parada, jornalista, mestre e doutor em Comunicação, professor e coordenador dos cursos de Publicidade e Propaganda, Relações Públicas e Design da Faccat, como mediador.
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