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Da Redação
Se você mandou uma mensagem para o aplicativo de mensagens pessoal do palestrante Juliano Kimura durante sua apresentação nesta sexta-feira (23/10) no Centro de Feiras e Eventos Festa da Uva, em Caxias do Sul (RS), e recebeu uma resposta, é importante que saiba: não foi ele que lhe escreveu, demonstrando que a IA já executa tarefas do dia a dia, e o desafio é saber onde aplicá-la. A cena, mostrada no Palco Conhecimento lotado, resume o ponto de partida de “Desvendando a inteligência artificial generativa”, apresentada no último dia da Mercopar, maior feira de inovação industrial da América Latina, realizada pelo Sebrae RS e Sistema FIERGS.
Autor de “O Livro Secreto das Redes Sociais”, com 25 anos de carreira e passagem como palestrante do Facebook Brasil, Kimura abriu o painel relatando dois testes pessoais: em outubro de 2025, conectou o modo agente do ChatGPT ao WhatsApp Web, e a ferramenta passou a ler e responder mensagens em seus grupos. Pouco depois, viu um navegador com IA preencher sozinho um compromisso em sua agenda. Para ele, os dois momentos mostraram o ponto de virada em que a tecnologia deixou de apenas responder perguntas e passou a executar tarefas.
A principal mensagem, no entanto, foi sobre pessoas. Kimura contou que muitas empresas compram licenças de IA para toda a equipe e veem pouca mudança, porque os colaboradores resistem a treinar uma ferramenta que, na percepção deles, pode assumir suas funções. “O que transforma o negócio não é a tecnologia em si, são as pessoas”, afirmou. Ele comparou o letramento em IA às etapas anteriores de qualificação, como os cursos de datilografia e de pacote Office, e avaliou que profissionais sem o mínimo de domínio da ferramenta tendem a ficar fora do mercado.
O palestrante também apresentou aplicações práticas que usa no próprio negócio. Em uma delas, grava duas horas de conteúdo ao vivo no YouTube e usa uma ferramenta de IA para gerar cortes verticais com legenda, título, pontuação e agendamento nas redes. Segundo ele, um dos vídeos passou de 90 mil curtidas de forma orgânica. Em outra, pediu a um assistente de IA para organizar os arquivos acumulados em anos de trabalho, entre contabilidade, financeiro e contratos, e criar conexões entre eles, tarefa que, disse, levaria um ano se feita manualmente. O argumento é simples: a tecnologia, se bem usada, tem um potencial inestimável de poupar tempo e ampliar o alcance do trabalho de toda uma empresa, ou de um simples empreendedor.
Para a indústria, a lição de casa, segundo Kimura, é construir uma base de conhecimento. Empresas com processos analógicos, sem documentação, dados estruturados ou visão computacional não conseguem aplicar IA de forma eficiente, porque os dados sobre o que acontece na fábrica simplesmente não existem em formato digital. Ele indicou que as soluções de visão computacional e as de segurança e autenticidade são campos promissores para quem busca startups, e citou a compra da Hugging Face, plataforma aberta de modelos e dados de IA, pela Nvidia, como sinal de para onde o mercado caminha. O maior temor das empresas, disse, é a chamada “shadow AI”: se a ferramenta oferecida pela empresa não funciona, o funcionário leva a tarefa para casa e usa a própria IA. Por isso, defendeu discutir governança, riscos e conformidade agora.
Kimura também apontou a necessidade de camadas de confiança em um ambiente digital em que imagens e vídeos falsos são difíceis de identificar. Citou o caso do Walmart, que passou a exigir dos fornecedores de folhas verdes o registro da cadeia em blockchain, o que reduz o rastreamento de dias para segundos. Entre as previsões, listou sites que podem restringir acessos feitos por IA, a necessidade de provas de que quem está do outro lado é humano, o conceito de “selfware”, em que cada pessoa teria o próprio software personalizado, e a chamada “interface zero”, em que agentes substituem a navegação em sites. Segundo ele, plataformas especializadas já listam mais de 54 mil ferramentas de IA existentes nos dias atuais, com dezenas de novidades por dia.
Entre assistentes que respondem mensagens e arquivos que se organizam sozinhos, a palestra deixou uma convicção que faz toda a diferença: a tecnologia corre mais do que qualquer um, mas quem decide usá-la, e como, continuam sendo as pessoas.

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