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Da Redação
A relação entre o consumidor e a carne passa por um processo de transformação. Mais atento à origem dos produtos, aos métodos de produção e aos impactos das suas escolhas, o público busca cada vez mais informações sobre aquilo que chega à mesa. Nesse cenário, conhecer a história por trás dos alimentos se torna parte de uma nova forma de consumir.
É com esse olhar que o Sebrae RS realiza, durante a Fenadoce, que ocorre entre os dias 15 de julho e 2 de agosto, em Pelotas, a segunda edição do Salão da Carne, um espaço criado para aproximar consumidores, produtores e agroindústrias, apresentando os diferenciais da carne gaúcha e fortalecendo a conexão entre o campo e a cidade.
A iniciativa busca ampliar o conhecimento do público sobre uma cadeia produtiva que faz parte da identidade econômica e cultural do Rio Grande do Sul. Produzida em um território marcado pelas características do Bioma Pampa, a carne gaúcha carrega elementos relacionados ao ambiente natural, ao manejo dos animais, à tradição dos produtores e ao conceito de terroir – a relação entre um produto e as características únicas do local onde é produzido.
Para o gestor de projetos de desenvolvimento regional do Sebrae RS e responsável pelo projeto Salão da Carne na Fenadoce, Juliano Bolzoni, levar essa discussão para um evento de grande circulação é uma oportunidade de aproximar o consumidor da realidade da produção. “Existe uma história muito rica por trás da carne que chega à mesa. Quando mostramos a origem, os processos e as pessoas envolvidas nessa cadeia, ajudamos o consumidor a compreender melhor o valor de cada produto. A proposta do Salão da Carne é criar essa aproximação, mostrando que a carne envolve território, conhecimento e trabalho antes de chegar ao prato”, destaca.
Além de apresentar características da produção atual, o espaço também resgata a relação histórica entre a carne e a formação da identidade de Pelotas. O ciclo das charqueadas teve papel fundamental no desenvolvimento econômico da região e ajudou a construir conexões que, ao longo do tempo, também influenciaram a tradição doceira do município. “A história da carne e a história dos doces de Pelotas fazem parte da mesma trajetória de desenvolvimento da cidade. O charque movimentou a economia regional e estabeleceu relações comerciais que contribuíram para a chegada de ingredientes e influências que ajudaram a consolidar a cultura doceira. Recuperar essa memória é também valorizar a identidade do território”, explica Bolzoni.
Durante a Fenadoce, o Salão da Carne reunirá frigoríficos e agroindústrias em um espaço expositivo com cortes selecionados, permitindo que os visitantes conheçam diferentes produtos, características e informações sobre a cadeia produtiva. A proposta é mostrar que, antes de chegar ao consumidor, cada alimento envolve conhecimento, tecnologia, trabalho e escolhas relacionadas ao modo de produção.
A programação também contará com oficinas gastronômicas realizadas em parceria com a Escola de Gastronomia do Senac Pelotas. Nas aulas-show, chefs convidados irão preparar receitas com cortes da carne gaúcha e compartilhar orientações sobre preparo, aproveitamento dos alimentos e possibilidades de consumo. Ao final das atividades, os participantes poderão degustar os pratos elaborados.
Para o coordenador de projetos de agronegócios do Sebrae RS, André Bordignon, a iniciativa representa uma oportunidade de fortalecer o diálogo entre produtores e consumidores e mostrar os diferenciais da produção regional: “A carne gaúcha tem uma identidade construída a partir da combinação entre território, tradição e evolução dos sistemas produtivos. O Bioma Pampa, o conhecimento dos produtores e o investimento em qualidade formam características únicas, que precisam ser apresentadas ao consumidor”.
Segundo Bordignon, aproximar a sociedade da cadeia produtiva também contribui para estimular escolhas mais conscientes. “Quando as pessoas entendem a origem dos alimentos e conhecem o trabalho envolvido em toda a cadeia, passam a perceber o valor existente em cada etapa da produção. Nosso papel é criar essa conexão e mostrar que sustentabilidade, qualidade e valorização do território fazem parte da mesma história”, complementa.
Além de valorizar a gastronomia e a produção regional, o Salão da Carne reforça a importância econômica de uma cadeia formada por produtores rurais, frigoríficos, agroindústrias e diferentes empreendimentos que movimentam o desenvolvimento do Estado.

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