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Roselaine Monteiro Moraes
Gestora de Políticas Públicas Sebrae RS
O desenvolvimento territorial é um tema cada vez mais discutido nas diferentes esferas governamentais e institucionais, perpassando governos. Antes mesmo de entrar no tema, cabe esclarecer o conceito de território. Na visão da especialista em desenvolvimento regional Tânia Zapata, um território diz respeito a “uma apropriação social”, ou seja, um espaço socialmente organizado. Pode ser um bairro, uma rua, um município, um aglomerado de cidades, desde que esteja organizado em busca de um objetivo comum e engajado numa agenda estratégica pactuada com a sociedade. Portanto, o território pode ser construído.
Alguns municípios vêm discutindo a criação de propostas de desenvolvimento territorial com vistas à solução de problemas, tanto de ordem econômica quanto social, levando em consideração as ideias elaboradas pelo conjunto dos atores sociais (recursos humanos, institucionais públicos/privados, empresariais e terceiro setor).

Nessa perspectiva, o desenvolvimento requer o protagonismo dos atores que compõem o território de forma organizada, o que não pode depender somente do setor público, mas também do envolvimento da iniciativa privada e do terceiro setor para que, juntos, possam criar ações que promovam competitividade e desenvolvimento sustentável. Isso demanda a identificação das reais necessidades e potencialidades territoriais. O levantamento de tais necessidades e oportunidades propicia a criação de uma visão de futuro para o território, e assim podem ser traçadas estratégias de desenvolvimento com ações de curto, médio e longo prazos com vistas ao alcance dos resultados projetados.
Territórios que ofereçam um ambiente favorável ao empreendedorismo, melhoria de competitividade empresarial, novos postos de trabalho, inovações tecnológicas e produção de novos conhecimentos e habilidades tendem a ser mais competitivos. A capacidade de atuar de forma associativa também é uma estratégia importante e que perfaz um círculo virtuoso, podendo gerar aprendizagem para os envolvidos.
Frente a esse contexto de desenvolvimento territorial, pensar numa forma de conectar pessoas e instituições para discutir sobre necessidades e oportunidades existentes é um desafio para os territórios que pretendem atuar em rede. A articulação com instituições e atores para a formulação e a complementaridade de estratégias pressupõe compromisso, relacionamento e engajamento para propor, construir e legitimar propostas e ações numa agenda positiva pactuada entre os atores. Buscar a convergência das ações e o uso racional dos recursos disponíveis no território é fator de extrema importância num cenário de escassez de recursos, e a capacidade de cooperação entra em em cena.
A cooperação se destaca, sendo um elemento primordial para a criação de propósitos coletivos construídos de baixo para cima e de dentro para fora (endógeno). Contudo, gerar cooperação não parece uma prática tranquila ou um produto do acaso, uma vez que diferenças pessoais e interesses que não sejam coletivos, se não trabalhados e superados, podem intervir de maneira que comprometa ou inviabilize a concretude e até mesmo o alcance dos resultados.
Assegurar formas de alinhamento dos objetivos e das expectativas em relação aos resultados esperados é fundamental para a boa manutenção das ações, além de propiciar um melhor convívio entre as pessoas do grupo. A confiança é um valor implícito e essencial (não pode faltar) numa relação de cooperação e requer comprometimento, momentos de interação, clareza de ações e firmeza de propósito.
Preparar as pessoas/lideranças para atuarem de modo cooperado é um desafio para os territórios, que precisam estar receptivos para novos processos que resultarão dessa interação e combinação/recombinação de esforços, com vistas ao objetivo maior do desenvolvimento que é a qualidade de vida das pessoas – de todas as pessoas e das futuras gerações. Parece urgente trabalhar para deixar territórios com dinâmicas sustentáveis e que explorem suas capacidades de prosperidade.
Acredita-se que o desenvolvimento territorial não aconteça por sorte, acaso ou por decreto, mas, sobretudo, depende das pessoas, de atitudes, ideias inovadoras, projetos consistentes e parcerias engajadas num plano sólido. Confiança e entendimento elevados favorecem o fortalecimento de alianças entre os atores. Portanto, o território pode ser construído por líderes comprometidos que visem mudanças transformadoras e possam, dessa forma, perpetuar seus feitos deixando seus legados para as futuras gerações.
Fontes:
QUICK, Bruno. Sebrae. Atuação Integrada do SEBRAE para Melhoria do Ambiente de Negócios. Brasília.2016
ZAPATA, Tania. 6º Congresso Nós Podemos Paraná. Curitiba. 2013. Entrevista concedida ao SESI.
LIRA, Iván Silva. Desarrollo económico localy competitividad territorial en América: Revista de La CEPAL 85, P. 81-99,2005. –
COSTA, Eduardo José Monteiro. Arranjos Produtivos Locais, Políticas Públicas e Desenvolvimento Regional. Brasília: Mais Gráfica Editora. 2010
SANTOS, Adilson. Governança com Foco no Empreendedorismo. Porto Alegre. Sebrae RS. 2018.
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