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Mel de Manuka: o bom exemplo de como aumentar o valor do nosso mel

11/12/17
Andrés Delgado Cañedo

Andrés Delgado Cañedo

Professor da Universidade Federal do Pampa – Campus São Gabriel

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Por que o valor agregado do Mel Manuka, aparentado com o mel de eucalipto é tão elevado?

A manuka (Leptospermum scoparium) é uma planta nativa do sudeste da Nova Zelândia e também está presente na Austrália. Esta planta pertence à família das mirtáceas à qual também pertence um dos grandes amigos dos apicultores, o Eucalipto, e também a pitanga.

Assim como acontece no sul do Brasil, onde no começo da época fria os clientes pedem mel de eucalipto, muitos clientes pedem mel de manuka, mas com uma grande diferença: o mel de manuka é procurado por clientes do mundo todo, que pagam entre 78 a 120 dólares o kilo de mel envasado em pote de 500 gr, e seu valor a granel chega aos 18 dolares por kilo.

Por que o valor agregado deste mel aparentado com o mel de eucalipto é tão elevado? A resposta é similar àquela de quando perguntamos pelo elevado valor agregado das própolis brasileiras verde e vermelha, eles estão amplamente estudados e demonstraram ótimas atividades biológicas, que fazem deste mel um alimento funcional.

Hoje, o mel de manuka aparece em mais de 350 artigos científicos publicados em importantes revistas de circulação internacional, mas isto foi um processo que levou tempo. No primeiro trabalho publicado em 1991, um grupo da Universidade de Waikato na Nova Zelândia estudou o potencial antimicrobiano de meis produzidos a partir de 26 plantas diferentes (muitos destes méis eram monoflorais) e todos apresentaram grande atividade, mas no caso do mel de Manuka e Echium vulgare (uma planta invasora com flores violetas amplamente espalhadas no Rio Grande do Sul) demonstraram que sua atividade ia além do conteúdo de peróxido de hidrogênio (água oxigenada) dos meis.

A partir deste trabalho o mel de manuka foi testado com vários tipos de bactérias para analisar seu potencial antimicrobiano, mas na década de 90 somente tinham sido publicados 12 artigos, quase todos realizados por pesquisadores neozelandeses. Após dez anos da sua primeira publicação um grupo do Instituto Cardiff no Reino Unido demonstraram que, além do poder antimicrobiano, o mel de manuka também regula o sistema imunológico. A partir de 2008 outras atividades foram estudadas e só neste ano o mel de manuka foi usado para estudar seus benefícios na saúde em aproximadamente 50 trabalhos científicos. 

Estes dados não somente trouxeram um aumento no valor de mercado, mas também no volume exportado deste mel, transformando a Nova Zelândia num dos maiores exportadores de mel no que se refere a valor exportado, embora não seja um dos maiores exportadores em volume. Além disso, sabendo do potencial deste mercado que cresce em média 23% por ano, a Nova Zelândia organizou um documento estimulando a prática apícola no pais e os diversos dados podem ser encontrados no link disponibilizado ao final deste texto.

No Brasil temos a possibilidade de produzir vários tipos de méis monoflorais, mas eles continuam a ser vendidos pelo sabor e características físico-químicas. A forma de agregarmos valor ao produto continua sendo o selo orgânico. Mesmo assim, ano após ano o mel Brasileiro vem recebendo prêmios internacionais como um dos melhores méis do mundo. Estudos do nosso grupo de pesquisa da Unipampa – Campus São Gabriel demonstraram que o mel colhido em São Gabriel no outono (com forte influência do Eucalipto segundo análises do pólen) poderia ajudar na prevenção da doença de Parkinson e também nos efeitos adversos que acontecem após um processos de isquemia (“entupimento” de vasos sanguíneos) e reperfusão (momento em que o vaso “desentope”, oxigenando as regiões afetadas e gerando estresse nestas regiões). Outras atividades tem que ser testadas, se possível, em todos os méis produzidos e comparar sempre as atividades do nosso mel perante o mel de Manuka. Com isto ofereceremos muito mais do que um produto dourado de sabor doce, estaremos oferecendo um alimento funcional. Precisamos nos espelhar na Nova Zelândia, apoiar este tipo de pesquisas e sonhar alto, pois sabemos que o futuro da apicultura Brasileira pode ser ainda muito mais doce.

Estudo realizado pelo governo Neozelandês mostrando as oportunidades de negócios na produção de mel de Manuka – ACESSE

Texto: Prof. Dr. Andrés Delgado Cañedo
Universidade Federal do Pampa – Campus São Gabriel

Programa de Pesquisa e Extensão em Apicultura do Pampa (APIPAMPA)

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