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Leite e Derivados

Eficiência

Muito capital empatado para pouco leite produzido

01/11/18
Christiano Nascif

Christiano Nascif

Zootecnista e Mestre em Produção de Ruminantes | UF Viçosa, Sócio-proprietário da Labor Rural

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Ser eficiente é produzir mais e melhor com menos, simples assim. Essa eficiência deve ser uma constante sobre os principais fatores de produção

A pecuária leiteira se caracteriza por ser uma atividade que demanda alto investimento de capital. Para produzir leite é necessária uma mobilização muito grande de capital, o que torna a atividade mais desafiadora. Via de regra, na maioria das propriedades é muito capital empatado para pouco leite produzido. Para contrapor esse cenário, só tem uma solução: ser eficiente!

Ser eficiente é produzir mais e melhor com menos, simples assim. Essa eficiência deve ser uma constante sobre os principais fatores de produção: terra, capital e trabalho. Deve-se buscar sempre boa produtividade das vacas em lactação, da mão de obra envolvida na atividade e das terras utilizadas na exploração da atividade leiteira. A produtividade arrasta consigo maior eficiência no uso do dinheiro empatado na atividade leiteira, ou seja, o valor atingido pelo indicador “capital empatado por litro de leite, por dia” (R$/l/dia).

Dificilmente o negócio leite se viabiliza economicamente numa propriedade que tem alto capital empatado por litro de leite produzido por dia (R$/l/dia). As propriedades mais rentáveis são aquelas que conseguem produzir um litro de leite por dia com no máximo R$ 1.200,00/l/dia do capital.

Leite por hectare

Em torno de 50% de todo dinheiro é empatado em terras utilizadas para pecuária leiteira. Portanto, para ser eficiente no uso do capital, necessariamente temos que ser eficientes no uso da terra, buscando alta produtividade de leite por hectare. Sabemos que a tendência é por grandes produtores de leite em pequenas áreas e que o melhor produtor não é o maior, e sim o mais eficiente.

Alcançamos maior produtividade da terra com menor capital empatado por litro e, portanto, alcançamos maior rentabilidade com a atividade leiteira quando chegamos a uma taxa maior de remuneração sobre esse capital. Para ratificar essas conclusões, analisamos as informações obtidas de 160 produtores de leite da Região Sul do Brasil. Os dados se referem ao período de junho/2017 a maio/2018, deflacionados pelo IGP-DI 06/2018. Os 40 produtores que ganharam mais dinheiro alcançaram em média 13.610 litros por hectare por ano (l/ha/ano), enquanto os 40 que perderam obtiveram 11.690 l/ha/ano. Os 80 produtores que não perderam, mas também não ganharam muito produziram em média 8.634 l/ha/ano.

Os produtores que alcançaram maior produtividade em suas terras e ganharam mais dinheiro empataram R$ 1.422,53/litro de leite produzido/dia e alcançaram uma taxa de retorno de 13,30% ao ano, acima da inflação do período. Os que perderam alcançaram menor produtividade de leite/hectare e empataram R$ 2.005,79/l/dia, não alcançando rentabilidade, pois operaram com margem líquida negativa no período analisado.

Em qualquer situação, a maior produtividade deverá ser sempre acompanhada de custos equilibrados, pois, como todos sabem, o ótimo econômico nem sempre equivale ao ótimo produtivo.

Indicadores técnicos e econômicos das fazendas produtoras de leite da Região Sul do Brasil

Indicador

Média Sul

Superiores

Intermediárias

Inferiores

Produção média de leite (L/dia)

852,77

982,23

846,09

736,66

Produção / área para pecuária (L/ha/ano)

10.300,48

13.610,38

8.634,69

11.690,40

Preço médio do leite (R$/L)

1,39

1,41

1,39

1,38

Custo total do leite (R$/L)

1,28

1,01

1,27

1,66

Estoque de capital empatado por litro de leite (R$/L/dia)

1.885,28

1.422,53

2.101,42

2.005,79

Taxa de retorno do capital com terra (% a.a)

4,40

13,30

4,02

Fonte: Labor Rural – período junho/2017 a maio/2018 – dados economicamente corrigidos pelo IGPI-DI de junho/2018

Os produtores que ganharam mais venderam o leite por R$ 1,41/l e produziram com o custo total de R$ 1,01/l. Já os que perderam venderam o leite a R$ 1,38/l e produziram com o custo total de R$ 1,66/l. Os que ganharam venderam o leite por R$ 0,03/l mais caro, porém, produziram por R$ 0,65/l mais barato.

Diante desses números fica comprovado que, além de buscar o melhor preço, o caminho para o sucesso do produtor de leite deverá ser alcançar maior produtividade nos fatores de produção por meio do ganho em escala, reduzindo, assim, o capital empatado por litro, com equilíbrio dos custos de produção. Dessa forma, aumenta a rentabilidade do negócio leite e torna a atividade rentável e atrativa economicamente.

Na atividade leiteira existem os produtores que ganham e os que perdem dinheiro, como em qualquer negócio e em qualquer lugar do mundo. O problema não está na atividade, e a solução está no gestor que a administra.

Simples não é, mas possível, sim.

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